helenaromao

helenaromao

4p

3 comments posted · 0 followers · following 0

16 years ago @ Viver Lisboa - DE UM SUCESSO DE FRACASSO · 0 replies · +1 points

Parte III
Não sei nada de revista e por isso não conheço a utilidade de ir buscar o género, reavivá-lo ou se deveríamos simplesmente deixá-lo morrer. O que sei é que finalmente no mundo do Teatro “erudito” ou “de vanguarda” (eu não conheço bem os termos usados no Teatro, mas se for em analogia com os da Música, são todos maus) há quem lance o mote para esta discussão (e no caso das novas gerações, para esta descoberta) e é pena que não tenha sido aproveitado para debater a sério. Se discutimos tanto as negociatas (precisamente do Santana) à volta do Parque Mayer, porque é que não discutimos a revista em si? E se a Rita tem uma opinião tão moralizante a esse propósito é pena que não a tenha desenvolvido. A Primeiros Sintomas teve esta iniciativa que podia ser polémica, podia ser uma alavanca para se debater finalmente que raio é a revista, para que serve, porque se mantém e em que condições, etc. — sem ser da habitual perspectiva saudoso-salazarenta — e é com muita pena que percebo no último dia de representações que a imprensa, os agentes culturais (oficiais ou não) ou os "opinion makers" que criticaram tanto as negociatas santanenses, ninguém quis aproveitar e fazer aqui uma discussão séria! Nem que seja para nós, os tais “netos”, ficarmos a saber quem é a “avó” que está moribunda!

Tenho pena se não estiverem previstas mais representações (em itinerância, por exemplo), porque as peças de teatro ganham sempre com um maior à vontade, a maturação e a experimentação no palco com o público. Aqui está o drama — e a Rita, tão preocupada com as condições de trabalho dos artistas, que não focou este ponto nevrálgico? — das companhias independentes em sede própria e dos grupos formados "ad-hoc". Três dias aqui, dois além, uma semanita já não foi nada mau... mas há uma maturação e um crescimento nos próprios papéis que só se faz em frente ao público, não é possível acontecer em ensaio.

Helena Romão

16 years ago @ Viver Lisboa - DE UM SUCESSO DE FRACASSO · 0 replies · +1 points

Parte II
Queixa-se a Rita que faltaram muitos temas: pois faltaram e se fossem falar num espectáculo de tudo o que vai mal no Mundo, não teria fim! Mas sobre temas, para mim foi muito curiosa a forma como se falou do Santana: uma crítica à crítica unânime. Dizer mal dele seria fácil (demasiado fácil...), mas constatar em vez disso, que nos entretemos a bater no mesmo há uma série de anos e limitamo-nos por vezes a suspirar de alívio de já não termos que o aturar, em vez de andarmos para a frente e nos preocuparmos com as questões actuais é menos consensual e talvez bem mais acutilante. Embora eu pessoalmente tivesse sentido a falta da muito revisteira actualização diária consoante a notícia do dia — e no dia em que vi o espectáculo a grande notícia era o anúncio da condecoração.

O que menos gostei na peça foi a repetição de momentos às vezes demasiado sexuais. Aquela Europa podia ter sido menos explícita e teria mais piada. É um facto que os países grandes passam o tempo a "lixar" os mais pequenos e que o "tuga" mais típico tem a mania que é Zezé Camarinha universal... mas será que era preciso insistir tanto?

A crítica do Público fala do texto, depois do texto e ainda... do texto — ou dos temas referidos... no texto. Mas pouco falou do desempenho dos actores. É pena não ter ficado escrito no Público que o "compère" foi muito bom: no tom, no improviso, nos imprevistos que aconteceram e que ele "safou" muito bem. O tom aqui não é um pormenor, porque não pode ser o tradicional apresentador de concursos, nem pomposo como nos Óscares, mas também não tem um personagem a que se agarrar para ir buscar os tiques ou um enredo.

Musicalmente, à parte a grande e excelente surpresa do Manuel João Vieira, é que eu não gostei. As cantoras/actrizes eram desafinadas e com uma voz muito pouco matura. O Czerny dá-lhe uma certa piada, mas só percebe quem já foi torturado pelo mesmo estudo... (sim, "torturado" é a palavra certa)!

16 years ago @ Viver Lisboa - DE UM SUCESSO DE FRACASSO · 0 replies · +1 points

(Este comentário é muito longo, diz o programa, tem que ser dividido em vários. Fica o aviso.)

Parte I
Sobre a crítica do Público, basicamente o que há a dizer é que "foi pior a emenda que o soneto". Se a peça é moralizante, a crítica é hiper-moralizante!

Esta de achar que quem dirigiu Strindberg e Ibsen não pode fazer coisas mais cómicas a seguir, tem dois problemas: o primeiro é o típico provincianismo de achar que tudo o que faz rir tem menos “qualidade” e é pouco sério. O segundo problema é mais sério ainda, sobretudo para quem quer fazer crítica de teatro: já ouviu falar do Mário Viegas? (Calma, Primeiros Sintomas, não estou a comparar-vos, não desatem já aos pulos... Gostei, mas não tanto!) Importa explicar à Rita que fazer comédia não é em si pior nem melhor que fazer drama, que depende da comédia e do drama e de como se faz cada um; que fazer um texto que está a ser construído é muito diferente de fazer um texto escrito e acabadinho, já sem emendas a lápis à margem e falas a mudar a cada dia — mas que também já não permite dar ideias ao autor.

No "Maria Mata-os" não é tudo maravilhoso, mas, caramba, não é nada do que a Rita diz. A entrada do dramaturgo em palco (enquanto tal e não a fazer um qualquer personagem) é efectivamente a cena mais surpreendente. Corrija-me quem souber mais de teatro, mas eu nunca tinha visto tal coisa e não é por ter visto pouco teatro.